A vida nos endurece, nos torna rígidos em sentimentos,
preceitos, decisões e atitudes, nos faz pessimistas. A vida nos amolece, nos
torna sensíveis, carentes, condescendentes e otimistas. A vida pode nos tornar
muitas coisas, boas ou ruins, grandiosas ou medíocres, pessoas fortes ou
fracas, ignorantes ou sábias. Tudo depende do que aprendemos com nossas
vitórias e derrotas ou do que deixamos de aprender.
Aprendi a seguir em frente sempre. E que as pessoas vão
caminhar com você enquanto puderem, mas se isso as atrasar, elas o deixarão para
trás e terão uma boa desculpa pra isso. Aprendi a desconfiar do caráter de
alguém que não goste de animais ou crianças, certamente, há algo de errado.
Aprendi a não ir ao supermercado com fome, gasto o dobro. A não guardar mágoas
ou alimentar ódio, pois é burrice, perda de tempo e ninguém liga. Aprendi que
passar uma tarde inteira fazendo merengue com meu avô pra depois comer até enjoar
pode ser maravilhoso, engorda, mas e daí? Que você não deve deixar ninguém te
magoar, não importa o motivo. Que comprar pela internet é prático, mas pode ser
bem irritante quando dá problema. Que não é errado gostar, confiar, demonstrar,
ser magoada e perdoar, o errado é magoar, trair, abandonar e mais ainda, não se
importar. Que datas comemorativas foram criadas pelo comércio para dar lucro.
Aprendi que fazer a coisa certa é gratificante, mas fazer coisas erradas pode
ser bem interessante e não ser descoberto pode ser melhor ainda. Que ser
impulsiva pode me trazer muitos dissabores, mas que os sabores que experimento se
tornam muito mais, como posso dizer, saborosos. Que a maioria das nossas reclamações de hoje
serão as saudades de amanhã. Que uma pia entupida pode causar mais transtornos
do que se imagina. Que um texto nunca está terminado o suficiente pra quem o
escreveu, como esse, por exemplo. Que temos que encontrar nosso lugar no mundo
e que não podemos querer ser mais e nem menos do que podemos ser. Que caviar é
ruim. Que passar necessidade é péssimo, mas ‘passar’ saudade é bem pior. Que
animais de estimação e amigos são uma verdadeira terapia. Que dinheiro não traz
felicidade... Pra quem já não era feliz. Que posso passar horas ouvindo minhas
músicas preferidas sem motivo algum. Que dançar também é uma terapia, dançar
compulsivamente. Rir também, rir muito. E que chorar é preciso quando se está
triste, é extremamente necessário chorar, copiosamente, feito criança, é a melhor
maneira de desabafar e sarar seja o que for.
Aprendi com minha família, meus amigos, meus namorados,
chefes, colegas, subordinados, vizinhos, professores, conhecidos, desconhecidos.
Com livros, revistas, filosofia barata, jornais, gibis, Internet, cinema,
programas de televisão, bulas de remédio, manuais de instruções, publicidade. Com
a vida. Comigo. Com a morte. A vida nos amolece, nos endurece, na verdade nos torna
flexíveis. Algumas dessas coisas eu aprendi cedo demais, outras tarde demais,
outras não aprendi direito e preciso carregar uma ‘cola’ pra não esquecer. A
vida não nos maltrata, ela nos ensina.
Só queria aprender logo... =D

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirSimplesmente EXCELENTE texto! Nos faz rever as próprias ações e quem sabe agir de maneira diferente. Parabéns, Naninha!
ResponderExcluirEmocionei-me...fantástico!
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